“Tentativas Para Matar o Amor” – e o Amor sobreviverá? Sim, no Teatro Aberto

Tentativas Para Matar o Amor _ onde lisboa

A peça “Tentativas Para Matar o Amor” reflete sobre a sociedade contemporânea e o espaço que ela reserva para as relações. O texto de Marta Figueiredo (vencedora do Grande Prémio de Teatro Português SPAutores/Teatro Aberto 2015) aborda o quotidiano e os desafios que a vida moderna traz às relações. De forma direta e clara, ninguém no público deixará de reconhecer as situações interpretadas em palco.

Pões os teus vestidos de estilistas famosos junto das minhas t-shirts de festivais. Dou-me conta que há coisas que simplesmente não resultam.

Ana (interpretada por Cleia Almeida) e Jaime (Tomás Alves) amam-se há mais de dez anos. Ela, sonhadora e aventureira (“a vida é para ser dançada”), ele, pragmático e igual a todos, mais preocupado com a lista de coisas que se espera serem feitas aos 34 anos do que em viver.

Têm pouco a ver um com o outro, daria mais jeito até se acabassem aquela relação. Mas amam-se desde aquele dia em que a vida os juntou e lhes deu um nó cego, unindo-os para sempre.

Espelho meu, espelho meu: há alguém mais normal, mais regular do que eu?

Haverá ou não tempo para o Amor?

A peça é também sobre a sociedade atual formada por gente igual, acrítica e “toda feita no mesmo molde”. Gente que se refugia na televisão e não se questiona sobre as pessoas que se manifestam e são reprimidos numa qualquer praça do Egito (brilhante a metáfora das televisões dentro das televisões e das pessoas dentro das televisões).

Uma sociedade consumista apanhada pela grave crise financeira. Crise essa que o texto não esquece e refere de forma bem direta assumindo uma posição clara (“o euro, essa moeda que nos torna pobres, mas mais europeus”; “os Mercados essa entidade que ninguém elegeu”). Não é para isso também que serve o Teatro?

Quando se diz “Amo-te” espera-se que a seguir ao dia não venha a noite; quando se diz “Amo-te” espera-se que seja dia para sempre.

Enquanto se desfiam as situações do quotidiano (os transportes públicos, as contas, o crédito bancário, o emprego, a carreira…) há uma luta contraditória entre manter aquele amor ou simplesmente acabar com ele. Matar o amor para tornar a vida mais eficiente.

Em palco está outro personagem (interpretado por Eurico Lopes), amigo de ambos, confidente e uma espécie de consciência. Faz também o papel de narrador, introduzindo e explicando as situações ao público.

Uma nota final para a autora do texto, Marta Figueiredo. Natural da Meda (distrito da Guarda), o texto muito frontal e político está cheio de referências às suas origens. Engenheira Civil de formação fez parte na faculdade do Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico. De destacar ainda o papel importante que o vídeo desempenha na condução da narrativa.

 

Onde: Teatro Aberto
Texto da peça: Marta Figueiredo
Com: Cleia Almeida, Eurico Lopes e Tomás Alves
Quando: Em cena | Quarta a sábado, 21:30; Domingo, 16:00 – até 16 de abril
Preço: €15 (com descontos €7,5 a €12)
Duração: 80 minutos sem intervalo

 

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