Onde ver arquitetura modernista em Lisboa?

Esta semana propomos um passeio diferente pelos cantos e recantos de Lisboa. Mas antes de mais, convém referir que este não se trata de um artigo meramente especializado (a nossa formação referida no fundo da página assim pode induzir). Trata-se sim de um percurso por alguns edifícios emblemáticos da capital e que tanto contribuíram para o que a cidade de Lisboa e a arquitetura portuguesa são hoje em dia. Mais do que referir os sítios em questão, este artigo fará com que os contemple com um olhar distinto da próxima vez que passar ao pé deles. Blocos de notas e câmaras fotográficas a postos?

Se questionássemos os nossos leitores sobre a imagem que surge imediatamente quando falamos em “modernismo” e “Lisboa”, acreditamos que a resposta seria unanime: a Geração d’  Orpheu. Possivelmente uma cena de café em que Fernando Pessoa estava num canto da mesa, Mário de Sá Carneiro no outro, ambos numa entusiástica conversa com Almada Negreiros. E seria uma imagem justíssima, já que foram de facto três figuras centrais da mentalidade modernista de inícios do século XX no nosso país.

Mas situemo-nos: Lisboa, década de 30. A arquitetura encontrava-se distanciada da tendência ideológica europeia, que via as ideias de Corbusier a ganhar sustento, na procura de uma arquitetura que respondesse de forma técnica e racional aos problemas da sociedade do seu tempo – ideias que só mais tarde iriam estar marcadamente visíveis nos edifícios lisboetas.

Cá dentro, a cultura e todas as artes eram censuradas pelo poder político e relegadas pela população, razão que levaria ainda mais a um atraso relativamente ao comboio europeu. Ainda assim, arquitetos como Cassiano Branco e Pardal Monteiro lançavam as bases para uma absorção das ideias modernistas da arquitetura lisboeta, ainda fortemente marcada pela aparência Art-Déco. Foi nesta altura que nasceram ícones como a Casa da Moeda (Jorge Segurado), o Antigo Cinema Éden dos Restauradores (hoje transformado em hotel) ou o Capitólio do Parque Mayer (ambos de Cassiano Branco).

A partir dos anos 40, o Estado Novo impôs o nacionalismo na arquitetura, numa tentativa de exaltar ainda mais a máxima “Deus, Pátria e Família”, baseada na defesa e promoção da estética tradicional portuguesa. Ficou assim conhecida como a “estética do português suave”, tendo como expoente máximo a Exposição do Mundo Português (com alguns dos edifícios ainda preservados) e os edifícios de habitação das zonas do Areeiro e Alameda.

E eis que depois de uma (breve) viagem no tempo, chegamos àqueles que se constituem como os edifícios de tendência marcadamente modernista em Lisboa. Tal adaptação apenas começou em finais da década de 40, com o 1º Congresso Nacional dos Arquitetos (1948), onde a arquitetura se viraria finalmente de costas para os fins políticos e passaria a servir as pessoas, de forma humanizada e pensada. Por fim começariam a adotar-se os princípios desenvolvidos por Corbusier, juntamente com uma nova forma de trabalhar um material ainda recente à data e que desde então se banalizou – o betão armado.

Posto isto, apresentamos de seguida o nosso roteiro: seguindo o contexto temporal, visitaremos um exemplo do primeiro Modernismo, outro do “Português Suave” e os restantes do chamado Novo Modernismo. Vai ver que da próxima vez que passar num destes edifícios, vai observá-lo de forma diferente.

Do Restelo à Gulbenkian

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1. Teatro Capitólio | 2. Igreja de Nossa Senhora de Fátima
3. Bairro das Estacas | 4. Blocos da Av. Infante Santo
5. Bloco das Águas Livres | 6. Centro Comercial do Restelo
7. Igreja do Sagrado Coração de Jesus | 8. Fundação Calouste Gulbenkian

Terminamos sem mais história. Apenas referindo que este é o primeiro de uma série de artigos que faremos dedicados à arquitetura de Lisboa. O objetivo será o mesmo: relembrar alguns dos nossos ícones aos arquitetos e dar a conhecê-los a todos os lisboetas. Em tempos de emigração recorrente, achamos que é mais que justo realçar o papel que os arquitetos têm e tiveram no desenvolvimento da cidade. Vão-se os anéis, ficam-se os dedos –  neste caso vão-se os arquitetos, ficam as obras. Menos mal.

E você, conhece outros edifícios modernistas de Lisboa? Partilhe connosco as suas descobertas!

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1 Comment

  1. Helena Vitorino says: Responder

    Penso que o Capitólio do Parque Mayer é de Cristino da Silva.

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