IndieMusic – Cinema e Música de mãos dadas

O IndieMusic é uma seção do IndieLisboa que tem como objetivo trazer o público da música para o cinema. Apresentando filmes sobre bandas ou movimentos musicais ou trazendo ao festival filmes produzidos por músicos. Este ano Stuart Staples, o vocalista dos Tindersticks, apresentou o seu primeiro filme “Minute Bodies: The Intimate World of F. Percy Smith” (10 de Maio, 21.30 na Cinemateca Portuguesa). Este ano, pela primeira vez, algumas sessões do IndieMusic foram ao ar-livre no terraço do Cineteatro Capitólio / Teatro Raúl Solnado.

Os filmes que o Onde Lisboa assistiu têm o palco a dividir os protagonistas. De um lado Mick Rock, fotógrafo de artistas como David Bowie, Lou Reed ou Iggy Pop; do outro lado, os Oasis, icónica banda britânica dos anos 90. Em ambos, uma visão do rock e de outro tempo.

O artista é invenção da imaginação das pessoas

“Shot! The Psycho-Spriritual Mantra of Rock” é antes de mais um filme sobre a forma como Mick Rock, um dos mais reconhecidos fotógrafos, vê o rock. Diz logo ao que vai, em discurso direto, “não me interessa o porquê daquela fotografia ser assim. Interessa-me disparar. Adoro tirar fotos.” Contando a sua história e as suas vivências, o filme apresenta uma história do rock e dos seus principais protagonistas desde o glam de Londres, passando pelo punk de Nova York até aos dias de hoje.

Se como diz, o artista é invenção da imaginação das pessoas, esta foi certamente moldada pela estética impressa nas suas fotos e nas personagens criadas na sua obra. Não se consegue por exemplo separar o génio musical de David Bowie do seu caráter gráfico e icónico. Sendo um filme sobre o fotógrafo, é também um filme sobre os fotografados onde imagens que entraram na cultura pop são aqui dissecadas e explicadas. Em jeito de lamento, e sobre os dias de hoje, diz: “as fotografias do rock estarem em galerias de arte é um contra-senso. Algo correu mal, devíamos ser rebeldes”.

Esta música é extraordinária, não por ter sido eu a escrevê-la e a interpretá-la mas porque é cantada por milhões de pessoas em todo o Mundo até hoje

É rebeldia que vemos em  Supersonic, documentário sobre os Oasis que teve apresentação única no Cinema São Jorge, dia 6 de Maio. O filme conta a história da popular banda britânica, desde o primeiro concerto em Glasgow (1993) onde, com apenas quatro músicas, convenceram a Creation Records a assinar-lhes um contrato.

Daí até 1996, aos concertos de Knebworth, onde durante duas noites seguidas 250000 pessoas assistiram aos concertos da banda. Nas palavras dos próprios “O que se faz a seguir a isto? Mais do que celebração, parecia o fim de algo.” O filme conta a história da banda, com grande destaque aos conflitos e às angústias familiares dos irmão Liam e Noel Gallagher. Não de uma forma voyeurista mas como forma de explicar o que está por trás do sucesso planetário da banda e da forma assumida como quiseram fazer aquilo que eles entendiam ser o rock. De forma cru, falam da família, dos esgotamentos de elementos da banda, das polémicas com a imprensa e o meio artístico, das drogas, da forma como o “prazer de fazer música foi destruído por senhores com pastas de couro que só pensavam em dinheiro”. É um filme sobre irmãos, com personalidades diferentes e conflitos mas que deram ao Mundo grandes músicas como “Supersonic“, “Morning Glory“, “Wonderwall” ou “Champagne Supernova“. É um filme de época, de uma época que terminou ali.

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