Festa do Cinema Italiano – Sessão de Encerramento

A 10ª edição da Festa do Cinema Italiano terminou no passado dia 13 de Abril com a sessão de encerramento que decorreu no Cinema São Jorge em Lisboa. Nessa sessão, para além da exibição do filme “In Guerra Per Amore” do realizador Pif, foram também divulgados os premiados das seções competitivas. Em Lisboa, passaram pela Festa mais de 10000 pessoas que esgotaram algumas das sessões. Decorreu pela primeira vez em simultâneo em Lisboa, Porto, Coimbra, Almada e Setúbal e agora partirá para outras cidades portuguesas, Angola, Moçambique e Brasil.

Prémio do Júri: os vencedores

O júri do Festival constituído por Cláudia Varejão, João Braz e Rita Blanco premiou os filmes “La ragazza del mondo“, de Marco Daniele (menção honrosa) e como grande vencedor “Fiore” de Claudio Giovannesi. O júri sublinhou que “ambos os filmes tecem-se a partir de forças muito idênticas que moldam os gestos das suas protagonistas: a procura de uma identidade e a conquista da liberdade. As batalhas interiores das personagens criam um forte laço de intimidade com o nosso olhar e, sem nunca nos desampararem, guiam-nos pelas sucessivas lutas a que são expostas. São, mais do que tudo, filmes sobre o rigor e a dedicação das suas atrizes, remetendo-nos para a longa tradição do trabalho da representação no cinema italiano”.

A Máfia moderna começa com o desembarque dos americanos na Sicília

In Guerra per Amore“, do realizador Pif, conta a história do amor impossível de Flora e Arturo. Este, para conseguir a autorização do pai da jovem, alista-se no exército americano, na companhia que irá desembarcar na Sicília donde é originário. Para além da história de amor, entram no filme um burro voador, muitos mafiosos, uma estátua de Nossa Senhora lado a lado com uma de Mussolini (santos em altares diferentes), uma selfie, uma criança sonhadora que só quer aprender a canção do burro voador que o pai, desaparecido na guerra, lhe cantava.

 

Na apresentação do filme, o realizador explicou (com muita ironia) que a ideia do filme foi “contar um fato histórico importante não só para a Sicilia mas para a Itália e contar aquilo que os “amigos” americanos fizeram por nós ao longo dos anos. A sua estratégia sempre foi o inimigo do meu inimigo é o meu amigo. A aliança com a Máfia foi bem conseguida, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, no Afeganistão, na Síria ou no Iraque.”

É uma comédia bem italiana que toca um ponto sensível da história daquele país, que nas palavras do realizador “foi apagado da memória histórica” porque de Itália, sob as ordens do regime fascista também saíram comboios cheios de pessoas em direção aos campos de concentração. Esta particularidade reflete-se também na bilheteira: o filme foi bem aceite em Itália, sobretudo pelos mais velhos, porque a juventude dorme tranquilamente sem pensar na 2ª Guerra Mundial. “Apesar de vivermos num tempo em que as pessoas não dão um passo sem pensar em quantos likes vão ter no Facebook quis fazer este filme”, diz.

O filme, com referências a “Forrest Gump” e a “A Vida é Bela” ensina-nos que para fazer o Bem não podemos aliar-nos com o Mal, pois este um dia mostrará a sua face. Com ironia e sensibilidade, é também um filme que fala de esperança ou como diz a canção do burro voador: “podes mudar o rumo do vento” ou como quem diz, podemos ser o que quisermos desde que acreditemos.

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