Já conhece a Igreja de São Domingos?

Decerto já ouviram falar que algures em Lisboa há uma igreja cujo interior foi preservado com as mazelas de um grande incêndio. Estamos enganados? E mais, muito provavelmente muitos dos leitores até já lá passaram à porta e não fazem ideia do que existe no seu interior. E esta?

Lisboa é uma cidade fascinante no que diz respeito à arquitetura religiosa, sendo que é possível fazer uma viagem histórica pelas igrejas da idade média até aos dias de hoje. Contudo, muitas há que sofreram um sem número de transformações ao longo dos tempos, em grande parte devido a acidentes naturais que afectaram Lisboa, como os terramotos de 1531 e 1755.

Um destes casos de persistência histórica é a Igreja de São Domingos, que fica mesmo ao lado do Rossio, disfarçada numa correnteza de fachadas da Rua Dom Antão de Almada. Além da sua beleza e imponência, tem a particularidade de ter o seu interior conservado com as mazelas de um violento incêndio que sofreu já no século XX. Mas já lá vamos.

Um monumento singular

A expressão de qualquer pessoa que visita a Igreja de São Domingos pela primeira vez é sempre a mesma: boquiaberta. A dimensão da única nave que compõe a igreja supera qualquer ideia que se tenha dela quando estamos no exterior. Depois somos contagiados pela mística luz da igreja e por fim reparamos na pedra, que foi parcialmente consumida pelo fogo em 1959 e que fez com que a igreja estivesse fechada até 1994.

A sua origem remonta a 1241, tendo sido alvo de várias obras de remodelação e reconstrução, o que fez com que sejam visíveis elementos de diferentes períodos e influências, como sejam o maneirismo e o barroco. Durante muito tempo, a Igreja de São Domingos foi uma das maiores de Lisboa, pelo que era aqui que se realizavam grandes cerimónias religiosas como os casamentos e batizados reais. Por outro lado, era também daqui que saíam em procissão os condenados à fogueira da Inquisição.

A grande reconstrução posterior ao Terramoto ficou a cabo da direcção de Carlos Mardel (arquitecto ao serviço do Marquês de Pombal e um dos principais responsáveis pela construção do Aqueduto das Águas Livres). Da sumtptuosa decoração interior constavam altares em talha dourada acompanhados por imagens e pinturas muito valiosas que foram destruídas por completo com o grande incêndio de 1959.

Depois de lerem estas linhas, decerto concordam que a história desta descoberta é rica o suficiente para merecer a vossa visita. Se esta descoberta vos suscitou particular interesse, não se esqueçam que bastante perto ficam as ruínas da Igreja do Convento de Nossa Senhora do Vencimento do Monte do Carmo, que podem ser visitadas no nosso artigo:

Onde ficam os museus que ainda não conhece em Lisboa?

Já conheciam a Igreja de São Domingos? Dêem-nos a vossa opinião e partilhem-na com os vossos amigos.

Informações
Onde: Largo de São Domingos (junto ao Rossio) – ver mapa abaixo.
Como chegar: Autocarro: 711, 714, 732, 736, 737, 759, 760 | Elétrico: 12, 15 | Metro: Rossio (linha verde) ou Restauradores (linha azul)
Horário: Todos os dias das 07h30 às 19h

 

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4 Comment

  1. FRANCISCO PEREIRA MARTINS says: Responder

    Fiquei impressionado com a informação e no próximo fim de semana visitarei este grande monumento.

  2. É verdade é uma das mais impressionante igrejas da aqui da baixa de Lisboa. Gosto de ir lá e encher a minha alma com a estranha beleza que está a dominar este edifício.

  3. WANDA MACIEL says: Responder

    Sempre que vou á Lisboa, é imperioso que visite a Igreja de São Domingos. Algumas horas fico a observar e a sentir aquela atmosfera meio que lúgubre que dali emana… A última vez que lá estivo (dez/2012) aconteceu um fato incomum… estava sentada em uma daquelas cadeiras e, ao levantar-me, vi uma pequena pedra no assento de uma cadeira que estava na mesma direção do altar de Santo Antônio. Pequei a pedra e examinando-a e guardei-a. Mais adiante, olhei casualmente para o chão e lá estava outra pedra, então juntei-a e guardei-a. Mais tarde, no hotel, fui examiná-las e percebi que em uma de suas partes, elas se encaixavam. Tenho-as até hoje como uma relíquia daquela visita que durou dois dias….

    1. Hugo Miguel Carriço says: Responder

      E com essas pedrinhas em seu poder lá se foi mais um pouco do património de Lisboa.
      O que é de lamentar.
      E que tal devolver para que possam ficar no seu devido lugar?

      Obrigada

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